segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Pessoa de Jesus Cristo

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Quem é Jesus para você? (Mt 16.13-17), essa é a pergunta mais importante que pode ser feita a um ser humano, de modo que da resposta depende todo o destino eterno da pessoa.
Jesus é a figura mais importante de todo o cristianismo, de tal maneira que toda a Bíblia, desde o livro de Gênesis até o livro do Apocalipse, aponta para a pessoa de Jesus Cristo (Jo 5.39).
A Doutrina de Cristo, ou cristologia, foi, e ainda é, uma das doutrinas mais perseguidas da história da igreja, onde a maioria dos hereges dos três primeiros séculos da era cristã distorceu principalmente esta doutrina, ora negando a sua divindade, ora negando a sua humanidade, ou negando a sua encarnação, ou negando a sua preexistência, distorcendo a sua morte ou distorcendo a sua ressurreição.
Muitas religiões e seitas, e muitas pessoas creem em outro Jesus, que não é o Jesus apresentado na Bíblia (2 Co 11.4).
Jesus foi o único ser humano capaz de dividir a história da humanidade, é devido a seu nascimento que temos as divisões das eras em antes de Cristo e depois de Cristo. O fato mais importante na vida de uma pessoa é conhecer a Jesus, e não somente conhecer no sentido de saber o seu nome ou as suas obras, mas conhecer tudo sobre o único ser capaz de salvar o homem.
Sendo assim, para um cristão, é essencial saber sobre a natureza divino-humana de Jesus, bem como a sua encarnação, seus propósitos, seus planos e as suas obras.
Sua encarnação
Encarnação significa estar em carne. Jesus era perfeitamente humano, e sua divindade foi plenamente mantida no ato da sua encarnação, em outras palavras, o Verbo, que é Jesus, e que existia como o Verbo eterno de Deus, se fez carne, se tornou um ser humano, se esvaziando de sua glória e assumindo a forma de servo, porém sem deixar de ser divino.
Jesus reúne em si, de forma plena e completa, duas naturezas, a natureza humana e a natureza divina, tais naturezas não devem ser confundidas, e estão intrinsecamente ligadas, portanto, são naturezas inseparáveis, e não podem ser divididas e nem confundidas, fazendo de Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
O evangelho de João 1.1-3 nos fala sobre a condição pré-encarnada de Cristo como o Verbo eterno de Deus, e no versículo 14 nos mostra que este Verbo se fez carne; na carta de Paulo aos Filipenses 2.7,8 nos fala sobre o fato de que Jesus se esvaziou de sua glória e se tornou um homem, porém, como nos diz o texto de Colossenses 2.9, dentro do corpo do homem Jesus continuava a pulsar a plenitude da divindade, portanto Jesus era um ser humano e divino ao mesmo tempo.
Como vimos, o trecho bíblico de Filipenses 2.5-8 mostra que Jesus sendo Deus se esvaziou não de sua Divindade ou de seus atributos, mas de sua glória (Jo 17.5), dessa forma, ele assumiu a forma humana, passou a viver em carne, ou seja, se encarnou, e esse ato foi voluntário, a fim de prover a salvação para a humanidade, para isso, ele por diversas vezes escolheu ofuscar muitos de seus atributos durante sua vida terrena, abdicando da sua majestade e se humilhando à condição humana, renunciando sua condição de viver como o todo glorioso e independente Deus, tornando-se submisso ao Pai (Jo 14.28), e por um curto período de tempo ele se tornou menor do que os anjos (Hb 2.9).
Esta doutrina sobre o esvaziamento de Jesus é conhecia na teologia como a Kenosis, que é a palavra grega traduzida como “esvaziou” em Filipenses 2.7, porém é importante ressaltar que Jesus não deixou de ser Deus, ele apenas renunciou por pouco tempo a sua glória e muitos de seus atributos para se tornar um homem com todas as limitações humanas, exceto o pecado, entretanto, Jesus não deixou de ser perfeitamente santo, justo, misericordioso, bondoso e amoroso, porém ele limitou a sua onipotência, onisciência, onipresença e soberania.
A encarnação foi profetizada e prevista no Antigo Testamento em textos como o de Gênesis 3.15; 2º Samuel 7.12 e Isaías 7.14, seno que em passagens como João 1.14 nos mostra o cumprimento destas profecias.
A encarnação se deu pelo envolvimento do Espírito Santo sobre uma virgem, a jovem Maria, noiva de José, gerando em seu ventre o homem Jesus, por isso podemos dizer que o nascimento de Jesus foi virginal (cf. Mt 1.20 e Lc 1.26-35).
No evangelho de Mateus 1.16 vemos que na genealogia de Jesus ela não termina em José, mas prossegue usando um termo que identifica Jesus com Maria e não com José, mostrando que a gestação e o nascimento físico de Jesus dependeram unicamente de Maria, sem a participação de José como progenitor.
Jesus veio em carne, isso é um fundamento primordial da fé cristã (2Jo 7), por isso, ele não era um espírito evoluído, sem matéria, sem corpo, como ensinaram a seita dos gnósticos (Rm 8.3).
A humanidade de Cristo
  1. Jesus possuía um corpo humano:
  1. Ele era nascido de mulher (Gl 4.4);
  2. Foi visto e tocado pelos homens (1 Jo 1.1 e Mt 26.12), não é uma história inventada, nem foi um devaneio dos apóstolos ou de milhares de pessoas em 2000 anos de história que deram suas vidas por essa verdade, mas centenas de pessoas viram, conviveram e tocaram nele.

  1. Jesus possuía limitações humanas:
  1. Ele era sujeito ao crescimento (Lc 2.52);
  2. Era sujeito aos seus pais (Lc 2.51);
  3. Limitado quanto ao conhecimento do futuro (Mt 24.36);
  4. Sentiu sede (Jo 19.28);
  5. Sentiu fome (Mt 21.18);
  6. Sentiu cansaço (Jo 4.6 e Mt 8.24);
  7. Jesus chorou ( Lc 19.41 e Jo 11.35);
  8. Jesus sentiu alegria (Lc 10.21);
  9. Ele foi tentado (Mt 4.1e Hb 4.15);
  10. Jesus sentiu tristeza (Mt 26.38);
  11. Necessitou de orientações de Deus (Lc 6.12,13);
  12. Ele dependia da união do Espírito Santo (At 10.38);
  13. Ele possuiu uma genealogia (Mt 1.1-16 e Lc 3.23-38);
  14. Jesus tinha uma profissão (Mc 6.3), ele não foi um asceta que durante a sua adolescência foi a índia ou ao Nepal aprender sobre questões espiritualistas e místicas do budismo e do hinduísmo, pois ele era um judeu fiel e temente, e como judeu ele repudiava as doutrinas das religiões pagãs;
  15. Jesus morreu (Lc 23.46 e Jo 19.30).

  1. Jesus possuía uma alma e um espírito humano (Mt 26.38 e Lc 23.46).

  1. Jesus recebeu títulos que atestam sua humanidade:
  1. Filho do homem, (Lc 19.10);
  2. Jesus recebeu um nome humano – Jesus (Mt 1.21);
  3. Filho de Davi (Mc 10.47);
  4. Homem (Is 53.3 e 1 Tm 2.5).
Os propósitos da encarnação foram:
  1. Revelar o amor de Deus aos homens (Jo 1.18; 14.7-11 e Hb 1.3);
  2. Prover um sacrifício definitivo pelo pecado (Jo 1.29 e Hb 10.1-10);
  3. Cumprir a aliança que foi feita com Davi no Antigo Testamento (Lc 1.31-33 com 2Sm 7.11,16);
  4. Dar o maior exemplo de uma vida piedosa (Jo 13.15; 1 Pe 2.21e 1 Jo 2.6);
  5. Destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8);
  6. Ser um sumo sacerdote misericordioso, que proveria um sacrifício expiatório perfeito (Hb 4.14-16).
A impecabilidade de Cristo
Cristo era incapaz de pecar, as tentações somente provaram sua incapacidade de pecar, as tentações o capacitaram a ser um sumo sacerdote misericordioso capaz de entender e se compadecer de nossas limitações e fraquezas.
Na lei mosaica era necessário que os cordeiros para os sacrifícios fossem sem mácula e sem defeito (Lv 1.3), da mesma forma, o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado o mundo deveria ser sem máculas e sem pecado, também, era importante que Jesus fosse um sacerdote perfeito, assim como a lei exigia uma separação e preparação dos sacerdotes, Cristo como sacerdote eterno e perfeito deveria ser totalmente santo (Hb 7.26,27).
A santidade de Jesus foi testemunhada por diversas pessoas, tais como: O próprio Jesus (Jo 8.46), Pilatos (Jo 18.38; Jo 19.4 e Mt 27.23), a mulher de Pilatos (Mt 27.19), o ladrão da cruz (Lc 23.41), João Batista (Mt 3.14), o apóstolo João (1 Jo 3.5), o apóstolo Pedro (At 3.14 e 1 Pe 2.22), o apóstolo Paulo (2 Co 5.21), o escritor da carta aos Hebreus (Hb 4.15), os demônios (Lc 4.34).
Jesus em tudo tinha que ser como homem, no entanto, em dois aspectos Jesus se diferenciou do resto da humanidade, são eles: O seu nascimento virginal (Is 7.14), e sua impecabilidade (1 Jo 3.5).
Sua Divindade
Jesus é 100% homem e 100% Deus, sendo sua natureza indivisível, pois ele não deixou de ser Deus para ser homem, nem de deixou de ser homem para ser Deus. Jesus é da mesma substância que o Pai, o Pai e o Filho possuem a mesma natureza (Jo 10.30 e 14.28) e compartilham da mesma glória (Jo 17.5),
A natureza divina de Jesus faz dele alguém muito mais do que um simples profeta, como afirmam os muçulmanos, Jesus é muito maior do que um espírito evoluído, ou um iluminado, como ensinam muitas seitas espiritualistas e muitas religiões e grupos orientais, a natureza divina de Jesus nos mostra que ele é muito maior do que o arcanjo Miguel, contraponto ao ensino das testemunhas de Jeová que afirmam ser ele o próprio arcanjo Miguel; enfim, Jesus não foi um líder religioso subversivo, pois ele é imensamente maior, ele é o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-17).
Existem três classes de seres: os seres humanos, os seres angelicais e os seres divinos. A Bíblia fala claramente que Jesus é Deus:
  1. A divindade de Jesus é provada pelas suas obras:
  1. A criação do mundo (Jo 1.3; Cl 1.16,17; Hb 1.2,3,10-12);
  2. A sustentação das coisas criadas (Cl 1.17);
  3. O poder de perdoar os pecados (Mc 2.1,2 e Lc 7.48);
  4. Ressuscitar mortos (Jo 5.25 e 11.43);
  5. Julgamento (Mt 24.31-34 e Jo 5.22,27);
  6. Dar a vida (Jo 5.21).

  1. A divindade de Jesus é provada pelo fato dele receber adoração e oração:
Pedro em Atos 10.25,26, Paulo em Atos 14.11-15 e os anjos em Apocalipse 22.8,9, rejeitaram adoração, pelo fato de que toda a adoração deve ser dada somente para Deus.
No entanto, Jesus por diversas vezes recebeu adoração (Mt 2.2,11; 8.2; 9.18; 14.33; 15.25; 28.9,17; Lc 17.15,16 e Jo 9.38), a Bíblia nos diz que todos adorarão a ele (Fp2.10 e Ap 5.12,13), o próprio Deus exigiu adoração a seu Filho (Hb 1.6).
Também, devemos orar a Jesus (Jo 14.14), assim como Estevão orou a Jesus em Atos 7.59, entre muitos outros crentes que oraram a Jesus (At 9.14 e 1 Co 1.2), como Paulo que orou ao Senhor Jesus (2 Co 12.8).
Pelo fato de que só a Deus pertence a adoração, e só a Deus devemos orar, do mesmo modo, Jesus recebeu adoração e orações, assim como a Bíblia recomenda tais atitudes com relação a Jesus, logo, Jesus é Deus.
  1. A divindade de Jesus é provada pelos seus atributos:
  1. Sua preexistência, Jesus sempre existiu, eternamente, nunca foi criado, não teve um princípio e nem um fim (Mq 5.2; Jo 8.58; Hb 7.3), ele é o Pai da eternidade (Is 9.6). João Batista reconhece a existência de Jesus antes dele (Jo 1.15,30). Antes de tudo existir, Jesus estava em perfeita comunhão com o Pai (Jo 17.5), veja também o texto de Hebreus 1.8 com Salmo 45.6;
  2. Sua onisciência, Jesus sabe de todas as coisas (Lc 6.8; Jo 1.48; 2.25; Mt 11.27; Jo 16.30; 21.17; Cl 2.2,3; Ap 2.23);
  3. Sua onipotência, Jesus é o Todo-Poderoso (Mt 28.18; Jo 5.19; 11.38-44; Fp 3.21), veja o texto do evangelho de João 5.19 que mostra a submissão do Filho ao Pai e sua igualdade;
  4. Sua Onipresença, Jesus está em todo lugar ao mesmo tempo (Mt 18.20; Jo 14.23; Ef 1.23; 4.10; Rm 8.10);
  5. Sua soberania, Jesus é soberano e majestoso, porém hoje a sua soberania é voluntária, mas futuramente será reconhecida por todos (Fp 2.10,11);
  6. Sua imutabilidade, Jesus não muda (Hb 13.8);
  7. Jesus é a verdade plena e a fonte da vida (Jo 14.6); ele é o doador da vida (Jo 1.4; 5.26).

  1. A Bíblia diz claramente que Jesus é Deus:
Isaías 9.6 – Ele é o Deus forte (Is 10.21);
Mateus 1.23 – Ele é Deus conosco;
João 1.1 – Jesus é distinto de Deus, o Pai, pois ele “estava com Deus”, no entanto ele “era Deus”;
João 1.18 – Jesus é o Deus unigênito;
João 5.18 – Os inimigos de Jesus viram a sua associação com o Pai, eles ouviram Jesus falar sobre a sua filiação com Deus e o modo como isso fazia dele um ser divino, e por isso tentaram o apedrejar;
João 10.30 – Jesus e o Pai são um, não só em propósito, mas também em sua natureza, o contexto anterior nos versículos 28,29, e contexto posterior no versículo 33, nos mostram essa ligação profunda entre Deus Pai e Jesus;
João 13.19 – Jesus é o grande “EU SOU”, compare este texto com o texto de Êxodo 3.14 (também Jo 8.58);
João 14.9 – Quem vê Jesus, vê o Pai;
João 20.28 – Tomé reconheceu a divindade de Jesus ao se referir a ele como “Senhor meu e Deus meu”;
Romanos 9.5 – Jesus é Deus bendito eternamente;
Atos 20.28 – Deus comprou a igreja com seu próprio sangue;
Romanos 14.9 – Jesus veio, morreu e ressuscitou para ser o Senhor sobre tudo e todos; este senhorio nos mostra a sua soberania e consequentemente a sua divindade;
Filipenses 2.6-11 – Jesus existindo anteriormente em forma de Deus, antes de se encarnar, esvaziou de sua glória e assumiu a forma de servo humano;
Colossenses 2.9 – Jesus possui não somente um pouco, mas toda a plenitude da Divindade;
Tito 2.13 – Ele é o grande Deus e salvador;
Hebreus 1.8 – Com relação ao Filho, Deus diz a ele: “o teu trono, ó Deus”;
2ª Pedro 1.1 – O nosso Deus e salvador Jesus Cristo;
1ª João 5.20 – Jesus é o Deus verdadeiro.
Em muitos textos bíblicos ao se referirem a Jesus como o Filho de Deus, está o associando à divindade, pois Jesus não é o Filho de Deus no sentido de ter sido criado ou nascido de Deus, mas a sua filiação é eterna com Deus, ele é o eterno filho de Deus, e como diz certo ditado: “filho de peixe, peixinho é”, portanto, como o filho eterno de Deus, Jesus possui a mesma gloria, majestade e atributos que o Pai possui (Mt 14.33; 16.16), até o diabo reconheceu isto (Mt 4.3,6).
Hebreus 1.3 nos diz que Jesus é o resplendor da glória de Deus e a expressa imagem de sua pessoa, ou seja, quem vê Jesus, vê Deus (Jo 14.9), pois ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1.15), o texto prossegue dizendo que Jesus sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, sendo ele o único que pode assentar-se a destra de Deus, por ser ele mesmo Deus.

  1. Sua igualdade com as demais pessoas da Trindade:
Sua igualdade com o Pai (Jo 10.30 e Jo 14.23);
Sua igualdade com o Espírito Santo (Jo 14.16 e 14.18);
Sua igualdade com o Pai e o Espírito Santo (Mt 28.19 e 2 Co 13.13).
A união das duas naturezas de Cristo, a divina e a humana, formam uma união perfeita, e tudo isso em uma única pessoa, para sempre, na teologia tal doutrina recebe o nome de união hipostática de Cristo, ou seja, a adição da natureza humana na natureza divina de Jesus, sendo ele o Deus-homem, tais naturezas são inseparáveis e completas, formando duas distintas naturezas em uma só pessoa, sem, contudo enfraquecer qualquer uma de suas duas naturezas.
Os nomes de Jesus
Jesus
Esse nome foi dado pelo anjo Gabriel a Maria (Mt 1.21), em hebraico Yehoshua, ou Yeshua na forma reduzida, significa “o eterno salva”; no grego, a língua comum e padrão do período do império romano na época de Jesus e do início da comunidade cristã, este nome foi transliterado para Iesous, de onde originou a forma latinizada Iesus, ou Jesus, no português.
Cristo
É o termo grego para Messiach,que no hebraico quer dizer Messias, que significa “ungido” ou “o Ungido” (Jo 4.25,26).
Filho do Homem
Esse título relaciona o Messias com a sua natureza humana, mostrando que o Messias além de ser divino ele seria um ser humano, um filho do homem, (Dn 7.13,14), esse termo é usado mais de 80 vezes no Novo Testamento, com a finalidade de identificá-lo com a profecia de Daniel 7.13,14, mostrando a sua messianidade (por ex. Mt 17.9,12,22); como observado neste estudo, é de extrema importância para a fé cristã a prerrogativa de que Cristo partilhava da natureza humana, negar tal doutrina é um erro grave (1 Jo 4.2).
Filho de Deus
Veja os textos de Mateus 16.16; 26.61-64 e João 10.36. Jesus é o único e absoluto Filho de Deus (Jo 3.16), sendo eternamente gerado do Pai, gerado não no tempo, mas eternamente gerado e filiado ao Pai, ele nunca foi criado, nem conferiu a ele uma origem, essa condição de Filho eterno de Deus expressa um profundo relacionamento íntimo com o Pai (Jo 8.19), sendo que somente Jesus é o filho unigênito de Deus, esse fato também o distingue dentro da Trindade, pois dentre da Trindade Jesus é o filho. O termo Filho de Deus o identifica com sua divindade, isso explica porque esse termo escandalizou os judeus no evangelho de João 5.18 e 10.33.
A palavra unigênito, em grego Monogene, aparece no evangelho de João 3.16 e significa “o único filho gerado”, ou em outras palavras “o único da mesma espécie ou natureza”.
Primogênito
Significa aquele que tem primazia, Jesus, ao ser introduzido no mundo, foi feito primogênito entre muitos irmãos (Sl 89.27; Rm 8.29 e Cl 1.15). Ele também é o primogênito no sentido de que tudo que foi criado no mundo foi feito por ele, por meio dele e para ele (Jo 1.3,10 e Hb 2.10), sendo que ele tem a primazia sobre tudo e todos; Jesus é o Arché que os gregos tanto buscavam, ou seja, ele é o princípio fundamental de tudo (Ap 3.14), ele é a base de onde Deus criou toas as coisas existentes visíveis e invisíveis (Cl 1.16).
O primeiro e o último
Jesus é o primeiro e o último, o alfa (primeira letra do alfabeto grego) e o ômega (a última letra do alfabeto grego), conforme descrito no texto de Apocalipse 1.17; 2.8; 21.6 e 22.13. Repare que o Pai também recebe este título no Antigo Testamento (Is 44.6 e 48.12), portanto não se pode pressupor que Cristo é o primeiro no sentido se ser a primeira criatura de Deus, pois como vimos Jesus sempre existiu, nunca foi criado, bem como o termo “primeiro e último” também se referiu a Deus pai no livro de Isaías; Primeiro e último e alfa e ômega, significa que Jesus é o soberano da criação de Deus, o princípio de tudo, de onde tudo surgiu, e o fim de tudo (Ap 3.14), isto mostra a soberania e majestade de Cristo e a sua participação na obra de criação.
Cordeiro de Deus
Conforme lemos no evangelho de João 1.29, este título nos fala do seu sacrifício, da sua morte em favor do povo, da sua expiação pelos pecados dos homens, um sacrifício vicário, ou seja, em substituição, de onde a ira de Deus que deveria ser derramada sobre  a humanidade foi derramada em Cristo, na cruz, pois Cristo nos substituiu na cruz, pagando o preço de sangue por nós, portanto, Cordeiro de Deus se refere a obra de salvação, salvífica, de Cristo (Rm 3.24,25).
Senhor
Kyrios em grego, usado no lugar de Yahweh e de Adonai, no hebraico, mostra a soberania e divindade de Jesus, revelando seu senhorio, onde em muitas passagens esse termo se identifica Jesus com o nome sagrado do Antigo Testamento, o tetragrama YHWH, provando a sua divindade (por ex. de Mt 22.43-45 e Rm 10.9,13).
Rei dos reis e Senhor dos senhores
Conforme aparece em Apocalipse 19.16, este termo mostra sua soberania, Jesus esta acima de todo reinado de todo domínio humano e passageiro, ele está acima de toda autoridade, principado e poderes, tanto agora como para sempre (Ef 1.21) .
Filho de Davi
Este título mostra o cumprimento da aliança feita de Deus para com Davi, com relação a sua descendência, da qual viria o Messias, (1Sm 7.12-14; Sl 2:7,12; Lc 18.38,39; Lc 20.41 e Rm 1.3), portanto, Jesus é filho de Davi por este ser descendente de Davi, tanto da parte de Maria (Mt 1.6,16) quanto da parte de José (Lc 3.23,32).
Sua vida
Jesus foi concebido miraculosamente através do poder do Espírito Santo que envolveu o ventre da Maria, sendo que esta era uma jovem virgem (Lc 1.26-38).
O homem Jesus foi um judeu que viveu entre seu povo, com sua mãe Maria, seu Pai José e seus irmãos e irmãs, aprendendo desde cedo a religião judaica e também uma profissão, a de carpinteiro ( Mt 13.55-57; Mc 6.3e Lc 2.52).
A natividade, ou nascimento de Jesus, se deu em Belém, na província romana da Judeia, este fato foi profetizado por Miqueias no livro de Miqueias 5.2, e vemos seu cumprimento nos evangelhos de Mateus 2.1 e Lucas 2.4, sendo que seus pais, a jovem desposada e virgem Maria e o carpinteiro José vieram da cidade de Nazaré, na província da Galileia, para Belém a fim de participar da realização de um censo feito a pedido do imperador romano, sendo que Jesus nasceu durante esta viagem; o governador Herodes que intentava matar o menino, por ter ciência das profecias bíblicas sobre o Messias e seu reino, havendo com isso medo de perder o seu trono (Mt 2.1-12), intentou matar o matar o menino, dessa forma, seus pais fugiram com o menino Jesus para o Egito (Mt 2.13-18), e, depois de Herodes morrer, a família retornou para a cidade de Nazaré, de onde o menino Jesus passou a sua infância (Mt 2.19-23).
Durante seu ministério, era bem provável que Jesus morava em Cafarnaum, à beira do lado norte do mar da Galileia (Mt 9.1 e Mc 2.1), realizando nesta cidade diversos milagres e prodígios (Mt 8.5-17; Mc 1.21-28; Mc 2.1-13; Jo 4.46-54), e ensinando ao povo (Jo 6.24-71), porém Jesus pregava e realizava milagres em muitas cidades, principalmente na região da Galileia.
Sua vida foi um exemplo, ele nos ensinou a amar, a confiar em Deus, a orar a ter a vida como uma vida de santidade a Deus, se submeter as autoridades, à caridades, a não jurar falsamente, a honrar os pais, a dar a vida pelo próximo, a ter uma moralidade exemplar e ser uma pessoas de caráter e fé.
Jesus pregou várias mensagens, como o sermão do monte (Mt 5-7), e o sermão profético (Mt 24), entre muitas outras, ele ensinou por meio de diversas parábolas (Mt 13.34,53), curou milhares de enfermos, dentre eles cegos, coxos, paralíticos, surdos, possessos de espíritos malignos, leprosos (Mt 4.24; Lc 4.40; Lc 6.19 e Jo 21.25), ele realizou sinais como a multiplicação de pães e peixes (Mt 14.13-21e Lc 9.10-17), andar por sobre o mar (Mt 14.22-33 e Jo 6.16-21) e acalmar uma tempestade (Mt 14.32), mostrando que, com isso, Jesus era um homem cheio do Espírito Santo (Lc 4.1).
Jesus, como judeu, cumpriu toda a lei (Mt 5.17).
Ele foi batizado por volta dos 30 anos de idade no rio Jordão por João Batista, não por ter pecados para se arrepender, mas para nos deixar o exemplo de que devemos buscar o batismo e consequentemente o arrependimento (Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21,22 e Jo 1.32-34).
Após o batismo, Jesus foi para o deserto, em jejum, a fim de ser tentado por 40 dias e 40 noites, e com isso, provar a sua integridade (Mt 4.1-11 e Lc 4.1-13).
Jesus era um homem que orava e jejuava constantemente (Mt 6.9-14; 15.36;  Lc 6.12; Hb 5.7 e Jo 17).
No seu ministério, Jesus escolheu doze discípulos, a qual lhe confiaria a missão de levar as boas novas ao mundo (Mt 4.18-22 e Lc 5.1-11), porém, Jesus teve muitos outros discípulos ( Lc 10.1), sendo que multidões o seguiam (Mc 10.46 e Lc 6.17).
Por fim, Jesus foi a Jerusalém (Mt 21.1-11), de onde ensinou ao povo de Jerusalém, findando as pregações, às vésperas de sua morte se escondeu (Jo 12.36), e na quinta-feira, ao anoitecer, realizou com os seus doze discípulos, dentre eles Judas Iscariotes, aquele que o traiu, a última ceia do Senhor (Mt 26.20-30), e faz o seu último discurso, transmitindo mais de seus ensinamentos (Jo 14-17), findando a ceia, Jesus vai ao Monte das Oliveiras, em um lugar chamado Getsêmani, para orar, levando consigo os seus doze discípulos (Mt 26.36-46 e Lc 22.40-46), enquanto que os principais anciãos e sacerdotes se reuniram planejando prender e matar Jesus (Mt 26.1-5), de saída do Getsêmani, Jesus é traído e preso por uma multidão armadas de espadas e paus e cajados (Mt 26.47-56), passando pelo julgamento dos judeus (Mt 26.57-75) e pelo julgamento romano, através do governador Pilatos (Mt 27.11-26), Jesus apanha, sofre, sofre açoites, cuspes, humilhações e por fim é crucificado, em uma sexta-feira (Mt 27.27-44), ele foi moído, esmagado e pisado, levando em si a ira de Deus pelo pecado (Is 53), por fim Jesus morre na cruz (Mt 27.45-56) e é sepultado (Mt 27.57-61).
Porém Jesus, no domingo, pela manhã, ressuscita dentre os mortos (Mt 28.1-7), aparecendo a muitas pessoas,  que com tais testemunhas oculares, prova a veracidade histórica deste fato tão importante para a fé cristã e a história do cristianismo, tais pessoas  são:
  1. Maria Madalena, mulher de onde expulsara sete demônios (Mc 16.9-11 e Jo 20.11-18);
  2. Outras mulheres, como a “outra Maria” (Mt 28.1-11), Joana, Maria, mãe de Tiago, e também as outras que estavam juntas com elas (Lc 24.10,11);
  3. Os dois discípulos e andavam no caminho de Emaús (Mc 16.12,13 e Lc 24.13-35);
  4. Pedro, ou Cefas (1 Co 15.5);
  5. Os discípulos, porém, Tomé estava ausente (Lc 24.36-49 e Jo 20.19-25);
  6. Os “doze”, ou, aos apóstolos, sendo que nesta ocasião se encontrava presente Tomé, porém Judas Iscariotes já havia suicidado, sendo que “os doze” são os onze discípulos de Jesus, com exceção de Judas Iscariotes, o traidor (Jo 20.26-31 e 1 Co 15.5);
  7. Sete dos seus discípulos na praia junto do mar da Galileia (Jo 21.1-23);
  8. Mais de quinhentos irmãos de uma só vez (1 Co 15.6);
  9. Tiago, provavelmente o irmão de Jesus, e um proeminente líder do início do cristianismo, tomando a frente do concílio de Jerusalém em Atos 15.1 sendo este o escritor da carta de Tiago (1 Co 15.7);
  10. Os onze na ocasião da grande comissão (Mt 28.16-20 e 1 Co 15.7);
  11. Os discípulos no monte das Oliveiras, na ocasião da sua ascensão (Mc 16.19-20; Lc 24.50-53 e At 1.9-12);
  12. Saulo de Tarso, ou Paulo (1 Co 15.8).
Enfim, Jesus fez tantas coisas pelo seu povo que, como disse o evangelista João no evangelho de João 21.24,25 que se fosse escrito uma a uma das coisas que Jesus fez, nem no mundo inteiro caberia os livros em que se escrevessem.
Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus (Mt 14.33 e 27.54).

Leonardo Ferrari Silva

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