segunda-feira, 25 de abril de 2016

Arrependimento: Quão arrependido eu preciso estar?



Na primeira de suas “95 teses” ,  Martinho Lutero declarou: “Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: ‘Arrependei-vos’ , Ele quis que toda a vida dos fiéis fosse de arrependimento”, Esse resgate da verdade bíblica inspirou as gerações desde então a uma reforma de pensamento e coração com respeito à natureza da vida cristã.

O chamado ao arrependimento foi fundamental na pregação de João Batista (Mt 3:2), de Jesus (Mt 4:17), dos Doze (Mc 6:12), de Pedro no Pentecoste (At 2:38), de Paulo aos gentios (At 17:30; 26:20) e do Cristo glorificado a cinco das sete igrejas da Ásia Menor (Ap 2:5,16,21,22;3:3,19). Faz parte da síntese do evangelho feita por Jesus e que deve ser levada a todo mundo (Lc 24:47), bem como corresponde à insistência constante dos profetas do Antigo Testamento de que os israelitas voltassem para o Deus do qual haviam se desviado (p. ex., Is 30:15;59:20; Jr 23:22;25:4,5; Ez 14:6; Os 11:5; Zc 1:3-6). O arrependimento é apresentado continuamente como uma obra da fé pela qual Deus aplica o perdão aos pecados de seus povo e os restaura ao seu favor; a impenitência, por outro lado, só conduz à destruição (Lc 13: 1-5).

As condições inseparáveis para a salvação são a fé e o arrependimento (Mt 21:32; Mc 1:15; At 20:21. Cf. At 2:38; 3:19; 16:31; Rm 10:9,10). Ambos são dons de Deus, resultantes da regeneração (At 11: 18; Fp 1:29), uma vez liberto do pecado, o coração se conforma gratamente ao mandamento de se arrepender e crer no evangelho. Quer seja o resultado inicial da obra de Deus na regeneração (At 11: 18) ou uma reação madura do pecado (2Sm 12: 13; 2Cr 32:26; Jó 42:26), o arrependimento é um dom de Deus que acompanha tanto a fé salvadora (Rm 10: 9,10) quanto a fé contínua que flui do Espírito Santo (Gl 5:22; 6:1). Ninguém pode se voltar para Deus pela fé sem antes deixar o pecado mediante o arrependimento.

Os teólogos costumam distinguir entre dois tipos de arrependimento de “atrição”, a mera afirmação de quem pecadores merecem ser castigados, desprovida d intenção correspondente de deixar o pecado e de qualquer súplica pelo perdão divino. A atrição não é um pesar sincero, expressado pela fé em concordância  com Deus, mas sim uma reação egoísta a castigos ou perdas efetivas ou ameaçadas. Foi esse tipo de arrependimento que Esaú demonstrou (Gn 27: 30-46_. Como o autor de Hebreus comenta, Esaú não lamentou o seu pecado, mas apenas a perda do seu direito de primogenitura.
Por outro lado, a “contrição” é o arrependimento verdadeiro (ainda que sempre imperfeito). Envolve o remorso por ter ofendido a Deus e, quando apropriado, por ter ofendido a outrem (Sl 51:4; Lc:21-24). Existe um sentimento geral de contrição que deve ser reconhecido devido à condição humana decaída (Sl 51: 3-5), mas o arrependimento específico deve ocorrer sempre que um pecado for identificado (p. ex., 2Sm 12:13; 24:10; Lc 15:18,21). Esse reconhecimento apropriado do pecado não é apenas um afastamento da desobediência, mas também um movimento na direção de um comportamento correto que inclui o desejo de fazer reparação quando apropriado (ex 22: 3-14; Lv 24:18-21; 1Sm 12:3; Mt 3:8; Lc 19:8). Esse foi o arrependimento manifesto por Davi quando ele orou, “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável... Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51:10,17).
Quando o arrependimento é oferecido com esse espírito, Deus promete nos perdoar e restaurar a comunhão plena com Ele. Como o apóstolo João escreveu, “Se confessarmos os nossos pecados e nos purificar, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

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