domingo, 1 de novembro de 2015

Carta Aberta a um Pastor Insensato


"Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho." (1Pe 5:1-3)



Olá, Graça e Paz, Pastor.

É com grande dificuldade que lhe envio essa carta, pois não estou me colocando em uma posição melhor que a sua, pelo contrário, ao final dessa carta você irá perceber que somos muito parecidos e que estamos em igualdade de situações, o que nos diverge é minha humilde sinceridade.

Pastor, quando o evangelho entrou em meu coração eu tinha apenas 13 anos, vivia em uma desilusão atrás da outra, eu vivia o prenuncia de minha adolescência, e já não entendia tudo a minha volta e não era entendido também, foi quando ouvi você dizer: "arrependam-se, faça sua vida valer a pena", uau isso foi demais viu, mexeu comigo.

Eu fui à frente da congregação aquele dia e disse sim ao apelo, eu quero me arrepender, pedi para Jesus entrar no meu coração. Você orou comigo e me orientou a forma que devia proceder daquele momento em diante.

Todas as reuniões semanais você ficava se preparando para as mensagens e quando as ministrava, era como se pegasse minha bíblia e ela falasse comigo. Suas mensagens eram de Arrependimento, Santificação, Regeneração, mensagens que para um jovem com eu era, tornavam-se difíceis de compreender, mas o senhor tinha paciência e não media esforços para que todos pudessem ter acesso, tanto o instruído quanto o não letrado.

Lembra-se daquele dia que numa partida de futebol, quando ouviu que um irmão queria me "surrar" após levar um lindo lençol, você interferiu e acalmou o pobre zagueiro? Que depois acabou saindo do jogo expulso por ofender o juiz? Pois é foi a melhor partida de futebol que já participei.

Quando sua esposa adoeceu, todos nós oramos incessantemente até ela melhorar, não vimos o senhor se abater em nenhum momento, parecia que você sabia que ela já estava sendo curada. Depois ficamos sabendo que você chorava bastante mas não queria preocupar os irmãos.

Seu exemplo de marido, pai e servo do Altíssimo, era evidente e tido como um exemplo, não negociava o evangelho. Lembro-me de um superintendente de uma certa denominação, indo lhe oferecer 'cobertura', você não aceitou pois aquela denominação havia permitido coisas que julgava incoerentes, segundo as escrituras.

A proposta era tentadora, o senhor iria ter uma casa e um carro, nada de lambreta nem aquele barraco de palha que morava.

Não entendi aquele "não" a uma vida melhor e lhe indaguei o porquê, você foi categórico: "O evangelho não tem preço, ele não é meu, como posso vender algo que não tenho posse?", não entendi nada, para mim evangelho naquela época era parar de ser mal e sem bonzinho, igual Jesus foi. Disse tudo bem para o Pastor e fui embora.

Depois de alguns anos tive que mudar de bairro e ficou longe para congregarmos e deixei de ir à igreja (prédio). Quanto procurei a comunidade não havia mais nada, o local onde reuníamos estava deserto, havia sido demolido.

Meu coração e de minha família se despedaçou pois havíamos perdido contato com vocês. Devia ter deixado algum endereço ou telefone mas não pensei nisso.

O tempo passou, me casei, tive filhos, me tornei um homem e a visão que tinha de evangelho mudou muito, na verdade se assemelha muito com a que o senhor tinha na época, porque quando ouço uma pregação em alguns templos hoje não consigo "ouvir a bíblia falando comigo" como naquela época.

Mas agora para minha surpresa era você que estava pregando, todo engravatado, anéis nos dedos, lencinho no bolso, cabelo de grife, uma outra pessoa. Eu era uma mistura de felicidade com incredulidade, felicidade por rever um irmão de longa data e incredulidade por ouvir o que estava pregando.

Não havia nada de Evangelho naquilo, e afinal que história é essa de quebra de maldição, determinar algo, prosperidade, onde você aprendeu isso? A bíblia não fala mais, ela chora. Estes ensinos se assemelham muito aos daquele superintendente que veio a nós atrás lhe procurar.

Essas pessoas que agora rodopiam aqui, pra lá e pra cá, são as ovelhas que está cuidando agora? E essas músicas parecem mais um show deheavy metal, letras sem nexo nenhum. Onde você se vendeu no decorrer do caminho? Quando o leve fardo do Mestre ficou assim tão glamoroso?

Confesso que foi muito difícil ficar aqui até o final, para ao menos lhe dar um abraço, em consideração a nossa amizade, mas quando terminou o culto, você já foi embora, pude ver apenas você entrando em um Corolla prata, com uma jovem loira ao lado.

Não estou aqui para julgar você, apenas gostaria de saber o que aconteceu com o Pastor que conheci, onde que ele mudou o curso de seu ministério?

O que tem feito para esse rebanho que tem "tomado conta"?

Como parou de viver do evangelho e para o evangelho e começou a engordar dele?

Por favor volte Pastor, seu talento ainda está enterrado junto com o seu chamado, desenterre-o antes que nosso Senhor venha para nos pedir prestação de contas.

Todos nós vamos prestar contas para Nosso Senhor acerca da forma que temos agido e prosseguido. 

Ambos temos a semente do evangelho plantada em nós, deixe-a florescer novamente, alimente-a não a corte, saia do caminho da Apostasia e pare de querer igrejas cheias, pense no alcance que o evangelho tem, ele é poder de Deus para salvar a humanidade, não precisa de métodos e estereótipos para ser pregado, nem algo em troca.

Lembre-se disso Pastor, pois foi você mesmo que me ensinou.

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